sexta-feira, 20 de março de 2009

Quatro pés de vento


Quatro pés de vento

Um réquiem para quatro patas.

Não há dois lugares onde o vento sopre igual. E o vento nunca sopra da mesma forma duas vezes. Então, se você quiser dividir algo único com alguém, divida o vento. Um sopro de vento dividido é uma raridade que não se repete. Um daqueles momentos que eternizam o próprio tempo.

Uma tarde de sol dourando o verde, sentar na grama com o céu soprando forte as nuvens, cabelos, pelos, e todos os cheiros e sons do mundo. Hoje, o vento sopra lembranças de uma tarde verde e azul, lembranças de preto e branco e de um vento dividido sob parapentes voadores e cumplicidade. Hoje, o vento sopra torto com a lembrança de que o vento nunca mais soprará igual. Hoje o vento lembra que, aquele vento, jamais deixará soprar; trazendo todos os cheiros e sons e lembranças do mundo. O vento é o uivo do mundo.



4 comentários:

Fábio Ricardo disse...

eu tinha lido, mas nao sabia que era teu. muito bom.

D. Lopes disse...

já tá com os devidos créditos no meu orkut, ok? foi tudo tao rápido, mta gente veio prestar sentimentos. o fusquinha ta se batendo de orgulho no céu dos cachorros. com aquela pata maldita, pedindo carinho na barriga.

Labes disse...

O vento é o uivo do mundo. Que bela frase para encerrar um belo texto. Andei longe daqui e, agora, ao retornar, um prazer imenso por ter ido e ter sabido retornar. Abraço.

Sílvia Mendes disse...

Há tempos que não passo por aqui. Uma bela surpresa voltar e encontrar um textículo tão demais... Lindo, mesmo.