segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Orelha de Selenita



Selenita tem o prazer de ser lançado bem representado. Esse é o texto da orelha do livro, escrito por Viegas Fernandes da Costa. Chega de introdução. Sigo com as palavras de Viegas.


Selenita

Selena, aquela que “rodopiava pela grama sem espantar o orvalho”, tão leve, “orbitava a vida, de saia rodada rodando o mundo”. Eis a palavra sensível de Rodrigo Oliveira, capaz de perceber Selena onde todos percebemos multidão, capaz de notar um moinho “em um tempo que já não enxerga gigantes”. Nestes dias que correm, de tantas palavras ocas, Rodrigo é Quixote que se entrega, tal qual um dos seus personagens, à sopa de verbo ainda que na pobreza de víveres, e assim sabemos, soledade, da existência de velho Genaro, apaixonado por Cida, no Cine L’Amour. Amor pornô? – indagamos. E a resposta nos surge como uma Macabéa travestida de senhor, de cinema, de saudade. “Selenita” – primeiro livro de Rodrigo Oliveira – nasce assim sob o signo do engenho e da sensibilidade. O engenho de Maira Maíra, que “mastigou mato maligno, minguando muda”, e a sensibilidade de um narrador capaz de ouvir os homens do mar, atracados na praia e na miragem.
Os 21 contos que compõem “Selenita”, distribuídos em dois “quinhões” – o primeiro, cartografia da alma; o segundo, engenharia narrativa – , apresentam-nos um autor que surpreende com seu universo temático e o requintado uso da palavra. Em alguns contos somos desafiados a um jogo, como quando perguntados a respeito do protagonista (“quem é o protagonista?”); em outros, o convite ao inusitado e ao extraordinário. Neste pêndulo, Rodrigo nos convida a conhecer a árvore de Herr Voss, acomodados sobre as possibilidades de um Fokker Dreidecker, “a estática do ar passando ligeiro por suas asas”; bem como nos remete ao já distante ano de 1920, onde os “Irmãos Van Loon” competiam pelos Países Baixos o cabo-de-guerra nas Olimpíadas. São textos mágicos estes de Herr Voss, Van Loon! Textos de uma tradição narrativa que um dia quase perdemos em meio aos tantos experimentalismos literários, mas que “Selenita” nos devolve com a força da criatividade e da fabulação. A mesma fabulação que nos coloca em suspenso aguardando as sete badaladas, ou investigando gárgulas no interior campestre de uma França que não mais cremos, mas que está lá!
Há de se fazer a travessia, Leitor, neste principado de um livro pleno! Há de se tomar “o último café de Peter”. O convite está feito, e vale a pena!

Escritor e Historiador

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Selenita - Convite




Convite para lançamento de Selenita: 07/12, 3ª feira, no Butiquin.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Selenita - Lançamento



Data agendada: 07 de dezembro de 2010, no Butiquin Wollstein, será a noite de lançamento de Selenita.

Ainda faço um email mkt decente e posto aqui o convite oficial. Mas por hora fica esse lembrete.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Feiras, Fóruns e Livros

Recentemente tive a oportunidade de acompanhar dois eventos literários em duas diferentes cidades: o Fórum Brasileiro de Literatura de Blumenau e a feira do livro de Brusque.

Em Blumenau, o evento teve participação de diversas entidades locais contou com um programação de se dividiu em diferentes horários e locais, mas o principais debates e eventos aconteceram na Fundação Cultural de Blumenau. Talvez esteja aí, um dos motivos do desastroso fracasso do evento. Não desmerecendo a já tão maltrada, escanteada e mal cuidada Fundação, mas enconder os debates e a feira nos seus recônditos esperando adesão do público foi, para não ofender ninguém, no mínimo ingenuidade. Não bastasse estar escondida nos vãos da Fundação, quem quer que passasse em frente ao prédio nem saberia do evento. Sem sinalização, sem movimento, se a Fundação estivesse fechada não se perceberia diferença.

Em contrapartida, em Brusque, as lonas brancas da Feira do Livro de Brusque ocuparam a recém inaugurada Praça do Sesquicentenário. Não é preciso dizer que o movimento lá foi muito maior. Famílias passeando no parque, brincando nos playgrounds, observando a fonte e todo o movimento em torno das lonas. Todo o movimento gerado para a Feira? Obviamente não. Não obstante, a curiosidade impulsionou muita gente para baixo das lonas, o evento ganhou movimento, ganhou vida. É verdade que nos estandes empenhados nas vendas dos livros o destaque se manteve mesmo por volumes de auto-ajuda, livretos comerciais infantis de ilustração pasteurizada, mas com um número razoável de exceções.

Enquanto isso, no pátio interno da Fundação Cultural de Blumenau um estande apresentava um pouco de tudo, parecendo miúdo no pátio vazio. O mesmo expositor estava ao mesmo tempo nas duas feiras e, terminados os eventos, fiquei curioso em saber do resultado, de qual das duas lhe tenha sido mais interessante.

Fui em três dias no Fórum blumenauense. O primeiro apresentou um público de pouquíssimas pessoas e um fraco corpo de debatedores formado pelos organizadores/apoiadores do evento. As reflexões de maior contribuição neste dia vieram da minguada plateia. A segunda visita foi mais proveitosa, os debatores trouxeram visões e discussões mais proveitosas e algumas referências diferentes — a mesa nesse dia foi formada por Carlos Henrique Schroeder (creio que radicado em Jaraguá do Sul), Joca Terron (MT/SP) e Sérgio Fantini (MG). Na última oportunidade a plateia estava — de estudantes (de ensino médio suponho) de algum colégio da região. Um público díspar do tema do dia: "Mercado Editorial". Excetuando-se esses alunos, o mesmo público diminuto.

Em Brusque, a feira contava com um grande atração, com o nome de Moacyr Scliar capitaneando a Feira. Não fui à palestra de Scliar, agendada para o meio da tarde de um dia de semana. Mas pensando a feira como um evento de forma profissional, ainda assim o nome de uma grande atração nacional obviamente atrai alguma atenção e holofotes da mídia e reforça de certa forma a imagem do evento. No sábado, dia em que fui a feira, assistia a algumas contações de histórias, com destaque para Afrocontos, Afrocantos, com Toni Edson (Florianópolis). Ao fim um café com escritores com Alcides Buss, de Florianópolis, e outros escritores locais. Por mais que a Feira do Livro de Brusque tenha sido muito melhor organizada e executada que o Fórum de Literatura de Blumenau, esse café deixou um gosto amargo ao fim do evento. A plateia era quase toda formada por esses escritores — faço aqui um forte esforço para não colocar entre aspas a palavra. O debate começou com uma "breve" (dessa vez não resiste às aspas) apresentação de cada um. Talvez o mais breve tenha sido o convidado principal, Alcides Buss. O restante da apresentação se alongou em um mar de "eus" e "meus" pouco produtivo, seguido por sessões de auto-ajuda, motivação e aves cujos olhos falavam de amor incondicional (nem perguntem!). Buss ficou como uma boia de sensatez onde alguns tentavam se agarrar enquanto viam o tal café naufragar. Talvez aí identifique-se uma fragilidade dos eventos de escritores locais: a pobreza de matéria-prima. Ou a abundância de correlatos e "wannabes" que soprepujam as iniciativas de certa valia literária.

Ao fim das contas e avaliações há muito o que se fazer na região. As iniciativas são poucas e lembro que não tiro a valia desses esforços, ainda que acanhados a atrapalhados. Mas é preciso pensar o evento de forma profissional, traçar objetivos claros, pensá-lo mercadologicamente e como fomento cultural; como gerador de leitores, escritores e críticos; como fazer artístico e social. É preciso mais seriedade e bom senso e menos confetes e autoadulação.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Selenita - Novidades

Novidades: Selenita está impresso.
Falta a montagem final: colar a capa e refilar.
Em paralelo, as conversas sobre distribuição e lançamento também estão em andamento.

Não falta muito agora...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Selenita - Andamento II

Opa, ilustres visitas por aqui! Fico feliz. E, oficialmente, agora, Selenita já está na gráfica. A primeira parte do pagamento do projeto, envolvendo diagramação, preparação, ilustração e outros que tais similares foi feita hoje. Toda movimentação deve ser documentada para a prestação final de contas, de modo que em breve o pessoal do Banco do Brasil pode me esperar de novo para um extrato.

Em tempo, acompanhei em parte e recentemente o Forum Brasileiro de Literatura de Blumenau e a Feira do Livro de Brusque. Impressões mais adiante por aqui (se eu não encontrar nada mais divertido para fazer).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Selenita - Andamento

Como anda meio parado isso aqui, resolvi atualizar com algo que nem é um texto literário, nem uma ilustra, nem uma crítica. Uma notícia para os poucos que por aqui passam. Por hora passo apenas para relatar que Selenita está finalmente começando a dar os primeiros passos rumo ao prelo. Depois de algum tempo em esforços burocráticos necessários, revisões, diagramação, em breve os arquivos irão à pré-impressão. Mais adiante, provavelmente, vou postar como anda o processo. Ao menos é uma forma de manter esses bytes um pouco menos empoeirados. E se eu tiver um pouco mais de paciência, depois faço meio que um passo a passo de todo o processo do projeto para dar uma mão a quem se interessar por traçar caminho semelhante. Abraços por hora.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Carta a Labes

Passamos um tempo àquele noite em papos ébrios virados pro ar. Lembra? Acho que estávamos nos pufes dum apartamento com piso de madeira gemente. O chão geme com prazer quando a gente pisa nele. A gente tem tanto do chão, tu disseste, entre uma baforada e outra. A pontinha do cigarro acendendo laranja-brilhante e depois ficando cinza de novo. Talvez seja por isso que a gente se arraste o tempo todo, tentei responder à altura da sua filosofada que cheirava a vinho e alcatrão, muito sem sucesso. Já viu como eu não consigo falar tu, como tu falas? Esse meu negócio de falar você é engraçado. É como se estivesse meio deslocado. Mais de trinta anos na beira desse rio e eu falo você em vez de tu. Se bem que se fala um tu errado por aqui, mas enfim. Sempre me perguntam de onde sou. Supõem, simplesmente, que não daqui. Mas eu sou daqui, rapaz. Desse chão que vez por outro se arrasta como a gente. Desse chão que geme quando a gente pisa nele. A gente acha que ele geme com prazer. Como geme a máquina de costura fazendo correr a linha. Todo mundo prefere pensar que é de prazer. Sonho besta esse de sonhar com você e com papos malucos. Outro dia me peguei pensando em outro amigo lá de lonjão. Ouvi o livro dele ecoando na minha cabeça. Te indiquei uma vez um poema dele. Naquele botequim maneiro te disse que poema nenhum nasce de parto normal, lembra? Pois é, lembrei dele. Tenho que te indicar de novo. Lançou o livro. Belíssimo, belíssimo. Há em áudio também, com a voz dele e de Laura. Saudades dos dois. Combina com um apartamento vazio e um merlot. O texto, mais tânico que o vinho. Marcelo ele também, veja só. No sonho você dizia com aquela cara de paisagem alguma coisa sobre não perder tempo. Como se fosse possível, Marcelo, perder algo que não te pertence. Só no sonho mesmo para eu chamar você de Marcelo. Vai entender. Mas só a gente acha que pode de algum jeito perder tempo. O tempo está aí e pronto. No máximo, ele é que perde a gente. Se não há porquê, não há porque se preocupar com perder tempo, também. Ou tentar aproveitá-lo ao máximo. Deixa estar. Fico pensando pra que serve tudo isso. Meu livro logo vai pro prelo, nem te disse. No sonho ele já estava pronto, mas não falávamos dele. O que faz certo sentido. Às vezes a gente fala pra uma parede esperando ouvir algum eco, mas o fato é que a gente fala pra uma parede, não obstante. Paredes e chãos. E um teto lá em cima. Lembro do teto do Saramago. Ao menos ele respondia. Eloquente aquele teto saramaguiano. O meu só me separa do arrastar de cadeiras do apartamento de cima. Não lembro se acordei logo depois do sonho. Mal sei se sonhei, na verdade, ou só pensei nisso tudo. Mas quando acordei, foi com um abraço no peito. Um sorriso na cara. E um texto de pouco sentido querendo nascer.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Por um poema que marque


Por um poema que marque


arranha o meu verso
que eu
arranho um para ti

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um verso por trás


Um verso por trás


deixa meu poema
[penetrar]
no teu verso

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quasímodo Enxaimel


Quasímodo Enxaimel


não tenho gárgulas
nem sinos
pra badalar

tudo que me resta
são esses morros
que escondem a minha cara torta
e esta corcunda

dos teus olhos tão azuis

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Verso coxo


Verso coxo

entre tuas pernas
minha palavra
é coxa

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Divina Comédia Pós-Moderna no Especial José Saramago

O Sarau Eletrônico, da Biblioteca da Furb, está com um especial em homenagem ao escritor português José Saramago, que morreu há poucos dias. Além do meu ensaio A Divina Comédia Pós-Moderna, sobre Todos os Nomes, figuram artigos e textos dos escritores Viegas Fernandes da Costa — editor do Sarau Eletrônico — e Maicon Tenfen, além do discurso do próprio Saramago ao receber o Nobel de Literatura de 1998. Fica a recomendação.

E ainda aproveitando o autojabá, aqui tb tem mais um artigo sobre uma obra do autor (na verdade sobre uma cena específica de O Evangelho segundo Jesus Cristo, a Cena da Barca).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O sonho do sem-cão

Um latido noiterrompeu-me os sonhos:
— Cãocãocão! Cãocãocão!

Desadormeci pispispiscando os olhos sob o luar. Atentei ao chamado.
— Cãocãocão! Cãocãocão!

Mirei o jardínscuro vazio, com olhos sonolentos. Nada havia. Apenas um sem-cão silente e a expiração do mundo nos sombrabaixos. Um mundormente e nada mais.

Sonambulava pupilargas pelo vidro, perscrutando a escuridão que mundormia janelafora. Ouvia o ronronar chiado do nada.
— Cãocãocão! — de repente, pelo vidro.

Madeixergui-me em sobressalto ao repentino alarma. Não via nada pelo vão vitrembaçado. Apenas o jardínscuro e o respirar próximo de um sem-cão e branquear a vidraça. Quase podia ouvi-lo rosnar, mas não havia nada para apaziguar minhas pupilargas curiosas.

Seguiram-se minutos latimudos de janelas opacadas.

Até que indespertei-me novamente na cadeira junto à janela sob a lualva já mais baixa e despedi-me da noite com um cerracenho cansado e um ganido baixinho.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Atualizando...

Uma suposta-possível-pouco-provável letra para uma ainda menos viável música que estava parada nos meus arquivos há mto tempo. Como não vou mais retomar e terminar isso, fica aqui o texto inacabado sem nem título. Mas ao menos, não dá pra dizer que eu não atualizei. Qq hora posto algo melhor acabado (espero).

Lavra a palavra
Leva a palavra
Livra a palavra
Leve

Para a palavra
Pare a palavra
Parte a palavra
Pária

Ave palavra
A vã palavra
Vaga palavra
Vala

Lavra a palavra
Pare a palavra
Vaga palavra
A vã palavra
Parte a palavra
Livra a palavra

Pétrea
Pária
Puta
Parva
Palavra Pagã

Liça
Lente
Leme
Láurea
Lábil leviatã

Vorme
Vício
O vulto
À vala
ávida vilã

Porto
Lacre
Vida
Pátria
Lume
Virgem