terça-feira, 9 de maio de 2017
The first rain of autumn
The first rain of autumn
The first rain of autumn
in a wet gray monday.
Sadness and beauty compressed in tiny droplets.
So much held inside.
But every season has,
someday, to let go.
So a drop rolls over my window
as monday morning mourns
on the first day of autumn.
20/03/2017
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segunda-feira, 17 de abril de 2017
The humming bird
The humming bird
A humming bird came through my open window.
It flew to every corner of the living room
and landed on the back of an old rocking chair.
There, it stood still.
But somehow it looked
impacient
unbalanced
and awkward.
The tiny talons moving nervously, uncertainly.
The keen eyes reflecting my own.
Then suddenly it took flight.
Raised to the ceiling, dived close the carpet
and zigzagged like a spark fled from a bonfire.
And like a dart, it dashed to the door,
blasting through the wood leaving behind no more
than a tiny hole
in the shape of brave wings of unpleasantry.
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terça-feira, 14 de março de 2017
...
Um cofre
guarda a fortuna
de quem puder
lhe abrir os segredos.
Vem o menino
e tenta uma senha,
o cofre se abre
com imprecisão.
Vem o velho
tentar os seus números.
O cofre se abre,
com sofreguidão.
Uma fortuna
para cada
combinação.
[clic-clac-cla]
Um poema é cifrado
com uma contrassenha
para cada leitor.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Conjuga-me
![]() |
| Imagem: "Quiero" por Marcos Radicella |
queria eu
quisesses tu
quereres meus
quisera meus
quereres teus
quereria ainda
que em adeus
quisesses tu:
quereríamos
queiras tu
quando quiseres
que eu quero
se agora queres
queria eu
quisesses tu
a mim
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Rodrigo Oliveira
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Charqueado
Charqueado
Hoje vi meu livro
numa estante pública,
pendurado feito carne
na vitrina de um açougue.
Queria eu, pingasse sangue.
Ver luzir o brilho das gorduras
(posta exposta)
Queria ver o nervo
mais incômodo entre as fibras.
Queria o cheiro mais vermelho,
a gota mais viva
e o visco mais rico.
Sede de sebo.
Mas hoje só tem carne-seca.
A cerveja ajuda a descer.
| Laura com Selenita, acho que não muito após o lançamento. |
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sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Hues of Blues
| The Old Guitarist - Pablo Picasso |
Hues of Blues
I've heard the cab go
Windows closed
I've heard no sound
All was gone
All was gone
The sheets were cold and
pale
No colour in the
sky
Grey clouds passing by
Passing by
No hues in the morning
No song from the trees
No colour no sound but blues
No hues in the morning
No song from trees
No colour no sound without you
Oh, life has no hues
but blues
Life has no hues
No, life has no hue
without you
Oh, life has no hues
but blues
Life has no hues
Life has no hue
without you
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sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Antes dos girassóis
Antes dos girassóis
Vincent viu o meu ipê
e sorriu amarelo
Pra esse cogumelo
(nuclear)
que precipita cor de ouro
feito chuva (ácida)
Que tinge a grama verde e cobre
de cor viva
de flor morta
todo o raio da explosão.
O clarão de ouro
passa a bronze.
Enferruja, o chão.
De-com-põe-se.
Ipê, ainda de pé.
Esqueleto armado.
Relicário da explosão
de amarelo
que já foi.
Vincent viu o meu ipê
e tirou o chapéu,
desnudando a orelha
lacerada
em sinal de respeito.
"O amarelo é triste", disse.
E ensinou ao mundo o que aprendeu com meu ipê.
Cada flor que caía era lágrima amarela,
feito tinta esparramada
tristeza sobre tela.
Toda a tristeza do mundo cabe numa cor.
Toda a tristeza do mundo cabe numa flor
que ainda há
de fazer nascer
uma nova árvore
de fazer doer.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
By the road I walk
By the road I walk
![]() |
| Image by Wallpaperscraft |
there's a path nearby
the road I walk.
of the creek I hear the sound
but 'have no sight.
it's a call that crawls
beneath the woods.
lurking wild, beastly
preying upon
the road I walk.
there's a path nearby,
beside that creek.
I see no sight
I feel it deep.
beyond the trees it rests
uneasy.
Oh, creek beyond the trees!
Oh, path beneath the leaves!
I keep walking the road I walk.
but I'll always know
there's a path nearby
with no footsteps but fallen leaves
by branches guided
by roots sustained
by a stream followed; just
by the road I walk.
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sexta-feira, 20 de maio de 2016
Pela flor caiçá
Pela flor caiçá
Deste rio
tão caudaloso
só quero a margem.
Só a margem
não corre.
E sem corrente
(de repente?)
se é livre.
Mas o rio ruge
tão perto!
[tão alto]
Voraz
Engole tudo:
troncopauepedra
Engole a capivara que pasta de cabeça baixa, perto demais.
Engoliu o barco que ali ficava.
Engoliu a ponte que nunca existiu.
E os patos de borracha,
que boiam sobre a torrente,
(ainda não o sabem)
há também de engolir.
Tão caudaloso esse rio,
tão barulhento
e barrento
corre,
sem perceber que não tem por destino outro
que dar de frente
com outra corrente
e, engolido, sumir no mar.
O rio correu
roeu
levou morro e rocha e a capivara que nele entrou.
Mas a margem,
ainda que roída,
moída
doída
e arranhada,
permanece.
E quando a água baixar
ali vai brotar
uma flor caiçá.
Escrito certamente influenciado por esse texto do @saobrabo.
Foto do 7Themes, aqui.
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domingo, 15 de maio de 2016
A última folha
Sempre resta uma última folha que insiste em se agarrar ao galho, ainda que o outono há muito já se tenha ido e que o inverno se adense. Resta sempre uma folha a balançar no ocaso.
Ilustra em Photoshop
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Rodrigo Oliveira
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Le Matin Gris
Le Matin Gris
Comment la pluie
qui tombe
je suis l'imminence
de la tristesse.
Je suis le visage
de le matin gris.
* Foto de Cleò Chiara (https://www.flickr.com/photos/cleochiara/3207199128)
** Se alguém pescar algum erro aí, por favor apontar, não sei o que to fazendo ;P
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sábado, 19 de setembro de 2015
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Me acorde antes de anoitecer
Me acorde antes de anoitecer.
Me desperte antes de cair a noite,
para que eu possa ver o por-do-sol
sem a sensação de não ter visto
o dia.
Que eu esteja acordado antes da lua surgir
e quando ela chegar, que lá eu veja refletido o brilho do sol.
Me acorde antes de anoitecer
para que eu possa aproveitar
o que ainda restar da manhã e as últimas luzes da tarde.
Então,
mesmo que eu pareça
confortável
e aconchegado,
me acorde.
Me acorde antes de anoitecer.
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Rodrigo Oliveira
terça-feira, 18 de agosto de 2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Um Minuto para o Cárcere
Um Minuto para o Cárcere
Três e trinta e dois da madrugada de três de março. O relógio na parede havia parado no momento exato em que o projétil de zero ponto trinta e oito polegadas lhe varara a face entre os ponteiros e se instalara entre as engrenagens por trás do mostrador de números romanos. Ávila olhava o instrumento iluminado pela única nesga de luar que driblava as cortinas pesadas. O facho pálido de luz envolvia os ponteiros com uma aura quase mágica. Três e trinta e dois, de três de março. Três do três. Não resistiu a tornar o momento mais auspicioso. Com o dedo adiantou o ponteiro maior em um minuto. Agora sim: três do três, às três e trinta e três. Satisfeito, guardou no bolso interno da jaqueta o revólver e saiu sem deixar vestígios e, como únicas testemunhas, o relógio varado na parede e o cadáver atrás de si que também guardava, no peito, outro projétil calibre trinta e oito.
Duas semanas depois, o relógio marcava no mostrador digital ao lado da cama um horário sem graça: vinte e duas e cinquenta e sete. Ávila, sonolento, não chegou a lhe dar atenção. Foi o som da porta do quarto arrombada que o despertou a tempo de ver a luz de uma lanterna tática apontada para o rosto a ofuscar-lhe a visão. Quando os olhos se acostumaram ao novo ambiente e o sono lhe abandonara por completo pode divisar os canos das armas apontadas para si, as balacravas negras e os conhecidos coletes balísticos onde lia “polícia civil” em letras brancas.
Agora, na cadeira de réu, ouvia o promotor público recriar o serviço executado em uma versão aproximada. Achou irônico o fato de ter sido condenado a tanto tempo por causa de um minuto. De um auspicioso minuto que deixara sua digital entre os ponteiros de um relógio de parede transpassado por um projétil, às três e trinta e dois da madrugada de três de março.
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Rodrigo Oliveira
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